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Gato com lacrimejamento: causas comuns e quando se preocupar

Ver o seu gato com o olho úmido, com aquela mancha escura embaixo da pálpebra ou com lágrimas escorrendo pelo focinho é algo que preocupa qualquer tutor responsável. O lacrimejamento, que na medicina veterinária recebe o nome técnico de epífora, é um dos sinais clínicos mais frequentes na oftalmologia felina e, ao mesmo tempo, um dos mais fáceis de serem notados no dia a dia. Mas nem todo lacrimejamento significa a mesma coisa: ele pode variar de uma reação passageira a uma poeira até um sinal precoce de úlcera de córnea, glaucoma ou até mesmo de uma infecção sistêmica. Saber observar, descrever e agir rápido faz toda a diferença na recuperação e, em muitos casos, na preservação da visão do animal.

Neste artigo, você vai entender o que é o lacrimejamento em gatos, como o sistema lacrimal funciona, quais são as causas mais comuns (e as mais perigosas), como o veterinário investiga o problema, quais raças têm mais predisposição e, principalmente, em que momento você deve correr para uma clínica. A ideia é transformar uma preocupação em informação prática para que você possa tomar a melhor decisão pelo seu gato.

O que é lacrimejamento em gatos

O que é lacrimejamento em gatos - imagem ilustrativa
O que é lacrimejamento em gatos

O lacrimejamento, ou epífora, é o transbordamento de lágrimas pela margem palpebral, de forma que a lágrima escorre pela face em vez de ser drenada normalmente pelo sistema nasolacrimal. As lágrimas são fundamentais para a saúde ocular: elas nutrem a córnea, removem debris, lubrificam a superfície do olho e possuem anticorpos e enzimas que protegem contra agentes infecciosos. Quando há produção em excesso, obstrução da drenagem ou inflamação da superfície ocular, o líquido se acumula e escorre.

É importante diferenciar três tipos de secreção ocular no gato:, Secreção lacrimal clara e aquosa, que é a lágrima propriamente dita e, geralmente, indica irritação, dor, alergia ou obstrução do ducto., Secreção mucosa, esbranquiçada ou acinzentada, que pode aparecer em casos de olho seco ou irritação crônica., Secreção purulenta, amarelada ou esverdeada, que quase sempre indica infecção bacteriana secundária e exige avaliação veterinária.

Apenas a observação visual não fecha o diagnóstico, mas já dá pistas valiosas para o profissional.

Como funciona a produção e a drenagem lacrimal nos felinos

Como funciona a produção e a drenagem lacrimal nos felinos - imagem ilustrativa
Como funciona a produção e a drenagem lacrimal nos felinos

Para entender por que o lacrimejamento acontece, vale conhecer minimamente a anatomia e a fisiologia do olho do gato.

A glândula lacrimal e a película lacrimal

A glândula lacrimal principal fica localizada acima do olho, próxima à borda superior da órbita. Nos gatos, a maior parte da lágrima é produzida, na verdade, pela glândula da terceira pálpebra (também chamada de membrana nictitante ou “pálpebra interna”). A lágrima se espalha sobre a córnea e forma a chamada película lacrimal, composta por três camadas: a lipídica (oleosa, na parte externa, que evita a evaporação), a aquosa (a maior parte, com nutrientes e anticorpos) e a mucínica (próxima à córnea, que ajuda a lágrima a aderir à superfície ocular).

O ducto nasolacrimal e a drenagem

Depois de cumprir sua função, a lágrima é drenada por dois pequenos orifícios chamados pontos lacrimais, localizados nas bordas superior e inferior da pálpebra, próximos ao canto medial do olho (próximo ao nariz). A lágrima desce então pelo ducto nasolacrimal e desemboca na cavidade nasal. Por isso, quando choramos ou quando o lacrimejamento é intenso, também escorre um pouco pelo nariz. Em gatos com obstrução desse ducto, a lágrima não tem por onde sair e transborda pela face, formando aquela mancha escura característica na pelagem clara.

Principais causas de lacrimejamento em gatos

Existem dezenas de causas possíveis para o lacrimejamento em gatos. A seguir, organizamos as mais frequentes em grupos para facilitar a compreensão.

Causas oftálmicas primárias

São as doenças que acometem diretamente as estruturas do olho. Entre elas estão a conjuntivite, a ceratite, a úlcera de córnea, a uveíte e o glaucoma. Todas elas, em maior ou menor grau, causam dor e inflamação, levando a uma resposta reflexa de aumento da produção lacrimal.

Conjuntivite felina

A conjuntivite é uma das causas mais comuns de lacrimejamento em gatos, especialmente em filhotes e em gatos que vivem em grupos. Caracteriza-se pela inflamação da membrana que reveste a parte branca do olho e a parte interna das pálpebras. Os sinais incluem vermelhidão, inchaço, lacrimejamento, piscar excessivo e, por vezes, secreção mucosa ou purulenta. As principais causas são o herpesvírus felino (FHV-1), a clamidiose (Chlamydia felis) e bactérias oportunistas. Segundo a AAFP (American Association of Feline Practitioners), o FHV-1 está presente em até 80% dos gatos e é a principal causa de conjuntivite recorrente na espécie.

Úlcera de córnea

A úlcera de córnea é uma ferida aberta na superfície transparente do olho. É extremamente dolorosa e causa lacrimejamento intenso, piscar frequente, fotofobia (o gato evita a luz) e, por vezes, opacidade visível no olho. Pode ser causada por trauma (briga, arranhão, corpo estranho), por infecção viral ou bacteriana secundária e por alterações anatômicas como entrópio. A úlcera é uma emergência oftálmica: sem tratamento adequado, pode evoluir para perfuração ocular e perda do olho.

Uveíte

A uveíte é a inflamação da úvea, a parte vascular interna do olho. Pode ser de origem traumática, infecciosa (FIV, FeLV, toxoplasmose, FIP) ou imunomediada. Os sinais incluem lacrimejamento, dor, vermelhidão ao redor da córnea, pupila contraída e turvação do humor aquoso. A uveíte é considerada uma emergência e pode levar a glaucoma, catarata e cegueira se não for tratada.

Glaucoma felino

O glaucoma é o aumento da pressão intraocular, que comprime o nervo óptico e a retina, levando à cegueira se não tratado a tempo. Os sinais incluem olho vermelho, lacrimejamento, dor (o gato pode esfregar o olho na pata ou no móvel), aumento do tamanho do globo ocular (buftalmia) e opacidade da córnea. O glaucoma felino costuma ser secundário a uveítes crônicas e, diferentemente do cão, é mais difícil de diagnosticar precocemente porque os sinais iniciais são sutis.

Ceratoconjuntivite seca (olho seco)

Embora menos comum em gatos do que em cães, o olho seco pode ocorrer, principalmente após quadros virais crônicos, uso de certas medicações ou por doença imunomediada. A falta de lágrima causa irritação crônica, secreção mucosa espessa e, paradoxalmente, lacrimejamento reflexo. O diagnóstico é feito pelo teste de Schirmer.

Causas anatômicas e de conformação

Algumas raças têm conformação que favorece o lacrimejamento. Gatos de focinho curto e olhos grandes, como o Persa, o Exótico de Pelo Curto e o Himalaio, muitas vezes apresentam:, Lagoftalmo: incapacidade de fechar completamente as pálpebras, o que expõe parte da córnea e gera ressecamento e irritação., Entrópio: pálpebras que se voltam para dentro, fazendo os pelos tocarem a córnea., Obstrução congênita ou compressão do ducto nasolacrimal pelo formato do crânio., Pelagem que cresce em direção ao olho, principalmente nos Persas, funcionando como corpo estranho constante.

Nesses gatos, a “mancha de lágrima” é quase um padrão da raça e, por ser crônica, tende a manchar a pelagem clara em tons ferruginosos por causa de pigmentos presentes na lágrima (as porfirinas).

Causas infecciosas

As infecções são causas extremamente comuns de lacrimejamento, e três agentes merecem destaque:, Herpesvírus felino tipo 1 (FHV-1): principal agente da rinotraqueíte viral felina, causa espirros, secreção nasal e ocular, conjuntivite e, em casos crônicos, úlceras de córnea. O vírus fica latente no organismo e pode reativar em situações de estresse., Calicivírus felino (FCV): causa úlceras na boca, espirros, secreção nasal e ocular. Algumas cepas são mais agressivas e podem levar a quadros sistêmicos graves., Chlamydia felis: causa conjuntivite com secreção, especialmente em filhotes e gatos jovens, e responde bem a tratamento com antibióticos específicos.

Causas alérgicas e irritativas

Assim como nós, os gatos podem apresentar alergias que acometem os olhos. As mais comuns incluem alergia a pólen, poeira, mofo, produtos de limpeza, fumaça de cigarro, areia sanitária empoeirada e, em casos raros, alimentos. O lacrimejamento vem acompanhado de vermelhidão, coceira e, por vezes, espirros.

Corpos estranhos e traumas

Uma brincadeira brusca, uma briga com outro gato, um arranhão em galhos ou a entrada de um grão de areia podem lesionar a córnea ou ficar alojados sob as pálpebras. O lacrimejamento é súbito e intenso, o animal pisca muito e pode manter o olho semifechado. Nesses casos, nunca se deve tentar remover o objeto em casa: qualquer manipulação inadequada pode aprofundar a lesão.

Causas sistêmicas e neurológicas

Em situações mais raras, o lacrimejamento pode ser um sinal de doença sistêmica, como hipertensão arterial (que pode causar hemorragia intraocular em gatos idosos), neoplasias oculares, doenças neurológicas que afetam os nervos da face e até intoxicações. Por isso, a investigação veterinária completa é fundamental em casos persistentes.

Tabela comparativa das causas mais comuns

A tabela a seguir resume as principais causas, seus sinais associados e o nível de urgência. Ela é apenas um guia orientador e não substitui a avaliação clínica.

Causa Principais sinais Urgência
Conjuntivite viral (FHV-1) Olho vermelho, secreção clara ou mucosa, espirros, pode acometer os dois olhos Moderada, requer consulta em 24 a 48 horas
Úlcera de córnea Lacrimejamento intenso, piscar, olho semifechado, opacidade local, dor Alta, emergência oftálmica
Uveíte Olho vermelho, dor, pupila pequena, opacidade, sensibilidade à luz Alta, emergência
Glaucoma Olho vermelho, dor, aumento do globo, opacidade da córnea Alta, emergência
Corpo estranho Lacrimejamento súbito em um olho, piscar, esfregar a pata Alta, atendimento imediato
Conjuntivite por Chlamydia Secreção mucosa, inchaço da conjuntiva, olho semifechado, mais comum em filhotes Moderada, consulta em 24 a 48 horas
Alergia Lacrimejamento claro, vermelhidão, coceira, espirros, sem secreção purulenta Baixa a moderada, depende da intensidade
Causas anatômicas (Persas, Exóticos) Mancha de lágrima crônica, pelagem manchada, sem dor aparente Baixa, acompanhamento e higiene
Hipertensão arterial Hemorragia ocular, dilatação da pupila, cegueira súbita em gatos idosos Alta, emergência

Como diferenciar lacrimejamento de secreção purulenta

Esse é um dos pontos que mais confunde os tutores. Nem todo “olho remelento” significa infecção, e nem todo olho limpo significa que está tudo bem. A secreção purulenta tem cor amarelada, esverdeada ou marrom, é mais espessa e, geralmente, gruda nos cílios e nos cantos do olho. A secreção lacrimal, por outro lado, é clara e mais líquida, parecida com a nossa lágrima. Quando a secreção muda de clara para amarelada, isso é um sinal de que há infecção bacteriana secundária se instalando, e o gato deve ser avaliado o quanto antes.

Como o veterinário investiga o lacrimejamento

Ao chegar à clínica, o veterinário vai realizar uma série de exames oftalmológicos específicos, muitos deles rápidos e indolores. Os mais comuns são:

Teste de Schirmer

Mede a produção de lágrima por meio de uma pequena tira de papel colocada na borda da pálpebra inferior durante um minuto. Valores abaixo de 15 mm no gato sugerem olho seco; valores muito altos podem indicar produção excessiva por irritação.

Teste de fluoresceína

Consiste em instilar uma gota de corante laranja no olho. A fluoresceína gruda em áreas onde a córnea está lesada (úlceras), que ficam visíveis sob luz azul especial. Esse teste é essencial em todo paciente com lacrimejamento, pois muitas úlceras não são visíveis a olho nu.

Tonometria

Mede a pressão intraocular, fundamental para diagnosticar ou descartar glaucoma. É feita com um aparelho que encosta suavemente na córnea, e o procedimento leva poucos segundos.

Citologia e cultura

Em casos de secreção persistente ou suspeita de neoplasia, o veterinário pode coletar uma amostra de células do olho ou do fundo da pálpebra para análise em laboratório. A cultura bacteriana é útil quando há suspeita de infecção resistente.

Raças com maior predisposição ao lacrimejamento

Embora qualquer gato possa apresentar lacrimejamento em algum momento da vida, algumas raças têm predisposição bem documentada. Veja as principais:, Persa e Exótico de Pelo Curto: pelo formato do crânio, com focinho achatado e olhos grandes, apresentam lagoftalmo, entrópio e obstrução do ducto nasolacrimal com frequência., Himalaio: compartilha as mesmas características do Persa por ter sido originado de cruzamentos entre Persas e Siameses., Scottish Fold e British Shorthair: podem apresentar entrópio leve a moderado., Maine Coon: tem predisposição a entrópio e a algumas doenças corneanas., Sphynx: por não ter pelos nos cílios protetores, está mais sujeito a irritação e a lacrimejamento por acúmulo de secreção., Bengal e outras raças ativas: estão mais expostas a traumas durante brincadeiras e saltos.

Em gatos sem raça definida (SRD), o lacrimejamento é, em geral, menos frequente e, quando aparece, costuma ter causa infecciosa, alérgica ou traumática.

Cuidados iniciais e quando procurar o veterinário

Antes de entrar em pânico, vale observar alguns pontos em casa que ajudam a diferenciar o que é leve do que é grave. Confira uma lista de sinais de alerta que indicam atendimento imediato:, Olho semifechado, piscando muito ou com o terceiro párpado (membrana nictitante) aparente., Secreção amarelada, esverdeada ou com sangue., Mudança de cor na córnea (esbranquiçada, azulada ou com manchas)., Aumento visível do tamanho do globo ocular., Goto esfregando o olho com a pata ou nos móveis de forma insistente., Cegueira súbita ou desorientação., Dor evidente ao toque próximo ao olho., Lacrimejamento que não melhora em 24 a 48 horas, mesmo após limpeza suave com gaze e soro fisiológico.

Enquanto você leva o gato ao veterinário, evite aplicar colírios humanos, pomadas caseiras, chá de camomila ou qualquer substância que não tenha sido prescrita. Muitos medicamentos de uso humano são tóxicos para gatos e podem agravar a lesão. A recomendação da ABMVET e do CRMV-BR é que qualquer medicamento oftálmico em gatos seja prescrito por um médico veterinário após avaliação clínica.

Uma forma segura de manter o olho limpo no caminho até a clínica é embeber uma gaze estéril em soro fisiológico 0,9% e aplicar suavemente do canto nasal para o canto lateral, sem encostar no globo ocular. Use uma gaze diferente para cada olho e para cada passada, evitando contaminar o olho saudável caso a causa seja infecciosa.

Perguntas Frequentes (FAQ)

Gato com lacrimejamento pode ser estresse?

Sim, em gatos predispostos, situações de estresse podem reativar o herpesvírus felino latente, levando a conjuntivite com lacrimejamento. Mudanças de ambiente, introdução de novos animais, viagens e reformas em casa são gatilhos comuns. O veterinário pode orientar terapia antiviral e medidas de enriquecimento ambiental para reduzir as recorrências.

Manchas de lágrima no Persa são normais?

São muito frequentes, por causa da anatomia da raça, mas não devem ser ignoradas. Limpar a região diariamente com gaze e soro fisiológico ajuda a evitar dermatite e infecções secundárias. Se houver mudança de cor, cheiro forte ou aumento do lacrimejamento, é preciso investigar.

Posso usar colírio humano no meu gato?

Não. Muitos colírios de uso humano contêm princípios ativos que podem ser tóxicos para gatos ou que agravam o problema, como corticosteroides em casos de úlcera. A recomendação do CRMV-BR é que todo medicamento oftálmico em felinos seja prescrito por um médico veterinário.

Lacrimejamento em filhotes é mais comum?

Sim, principalmente em gatis e abrigos, por causa da alta circulação de agentes infecciosos como FHV-1, calicivírus e Chlamydia. Filhotes não vacinados estão particularmente expostos, por isso a vacinação nos prazos corretos é uma das principais formas de prevenção.

Quanto tempo devo esperar para levar ao veterinário?

Se o lacrimejamento for claro, leve, em um único olho e melhorar em 24 horas após limpeza suave, pode ser uma irritação simples. Mas se durar mais de 48 horas, se vier acompanhado de qualquer sinal de dor, secreção colorida ou mudança na córnea, o atendimento deve ser imediato. Em casos de úlcera, glaucoma e uveíte, cada hora conta para preservar a visão.

Conclusão

O lacrimejamento em gatos é um sinal clínico que merece atenção, mas nem sempre significa algo grave. A chave está em observar a cor da secreção, a presença de dor, o comportamento do gato e a duração do quadro. Causas simples, como poeira e irritação leve, tendem a se resolver em pouco tempo, mas doenças como úlcera de córnea, glaucoma, uveíte e conjuntivite infecciosa exigem diagnóstico e tratamento veterinário rápido para evitar complicações e preservar a visão do animal.

Mais do que tentar tratar em casa, o papel do tutor é observar, descrever com precisão o que está vendo e procurar ajuda profissional o quanto antes. A oftalmologia felina evoluiu muito nos últimos anos e oferece recursos diagnósticos e terapêuticos eficazes para a grande maioria dos casos, desde que o problema seja identificado precocemente.

Se o seu gato está com lacrimejamento, não espere o quadro piorar. Agende uma consulta com um médico veterinário de confiança e siga as orientações de tratamento e prevenção. Cuidar da saúde dos olhos do seu gato é cuidar da qualidade de vida dele como um todo.

Referências consultadas, MERCK & CO. MSD Veterinary Manual

Ophthalmic Manifestations of Systemic Diseases. Rahway, NJ, EUA. Disponível em: https://www.msdvetmanual.com/eye-and-ear/ophthalmology-introduction, AAFP (American Association of Feline Practitioners). Feline Herpesvirus Guidelines. Disponível em: https://catvets.com/guidelines, WSAVA (World Small Animal Veterinary Association). Global Nutrition Guidelines and Pain Management Guidelines. Disponível em: https://wsava.org/guidelines, CRMV-BR (Conselho Federal de Medicina Veterinária). Resolução sobre Responsabilidade Técnica e Prescrição de Medicamentos Veterinários. Disponível em: https://www.cfmv.gov.br, ABMVET (Associação Brasileira de Medicina Veterinária). Boas práticas em oftalmologia veterinária. Disponível em: https://www.abmvet.com.br, CBRO (Colégio Brasileiro de Reprodução e Oftalmologia Veterinária). Diretrizes em oftalmologia veterinária. Disponível em: https://www.cbro.com.br, GELATT, K. N. Veterinary Ophthalmology (Two Volume Set). 6th edition. Wiley Blackwell, 2021., STADES, F. C.; NEUMANN, W.; BOEVÉ, M. H. Ophthalmology for the Veterinary Practitioner. Schlütersche, 2007.

Perguntas Frequentes (FAQ)

1. Gato com lacrimejamento pode ser causado por estresse?

Sim, em gatos predispostos, situações de estresse podem reativar o herpesvírus felino latente, levando a conjuntivite com lacrimejamento. Mudanças de ambiente, introdução de novos animais, viagens e reformas em casa são gatilhos comuns. O veterinário pode orientar terapia antiviral e medidas de enriquecimento ambiental para reduzir as recorrências.

2. Manchas de lágrima em gatos Persas são normais?

São muito frequentes por causa da anatomia da raça, mas não devem ser ignoradas. Limpar a região diariamente com gaze e soro fisiológico ajuda a evitar dermatite e infecções secundárias. Se houver mudança de cor, cheiro forte ou aumento do lacrimejamento, é preciso investigar com o veterinário.

3. Posso usar colírio humano no meu gato?

Não. Muitos colírios de uso humano contêm princípios ativos que podem ser tóxicos para gatos ou que agravam o problema, como corticosteroides aplicados em casos de úlcera. A recomendação do CRMV-BR é que todo medicamento oftálmico em felinos seja prescrito por um médico veterinário.

4. Lacrimejamento em filhotes é mais comum?

Sim, principalmente em gatis e abrigos por causa da alta circulação de agentes infecciosos como FHV-1, calicivírus e Chlamydia. Filhotes não vacinados estão particularmente expostos, por isso a vacinação nos prazos corretos é uma das principais formas de prevenção.

5. Quanto tempo devo esperar para levar o gato ao veterinário?

Se o lacrimejamento for claro, leve, em um único olho e melhorar em 24 horas após limpeza suave, pode ser uma irritação simples. Mas se durar mais de 48 horas, vier acompanhado de qualquer sinal de dor, secreção colorida ou mudança na córnea, o atendimento deve ser imediato. Em casos de úlcera, glaucoma e uveíte, cada hora conta para preservar a visão.

Aviso: este conteudo e informativo e nao substitui consulta com medico veterinario registrado (CRMV). Diagnosticos, tratamentos e medicacoes exigem avaliacao presencial de um profissional. Em caso de sintomas ou duvidas, procure um veterinario de sua confianca antes de tomar qualquer decisao sobre a saude do seu gato.

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