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Carrapatos em gatos: como remover com segurança e prevenir

Os carrapatos são parasitas externos comuns em cães e gatos, especialmente em regiões de clima tropical e subtropical como o Brasil. Embora muitas pessoas associem carrapatos apenas a cães, os gatos também podem ser hospedeiros desses ectoparasitas e, quando infectados, estão sujeitos a uma série de riscos à saúde que vão desde irritações cutâneas leves até doenças sistêmicas graves.

A remoção correta do carrapato é fundamental para reduzir o risco de transmissão de agentes patogênicos. Técnicas inadequadas, como esmagar o parasita, puxar com os dedos ou aplicar substâncias caseiras sobre ele, podem aumentar a chance de infecção e até provocar reações inflamatórias intensas na pele do felino.

Neste artigo, você vai entender como identificar carrapatos em gatos, quais doenças eles podem transmitir, o passo a passo correto para a remoção segura e, principalmente, quando a avaliação veterinária se torna indispensável. O conteúdo segue recomendações de entidades veterinárias reconhecidas internacionalmente, como a World Small Animal Veterinary Association (WSAVA), a American Association of Feline Practitioners (AAFP) e o MSD Veterinary Manual.

Importante: este material é informativo e não substitui a consulta com um médico veterinário. Sempre que houver sinais clínicos, infestações recorrentes ou dúvidas sobre produtos parasiticidas, procure um profissional habilitado. No Brasil, todo veterinário deve ser registrado no Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV) do seu estado, conforme orienta o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV).

O que são carrapatos

O que são carrapatos - imagem ilustrativa
O que são carrapatos

Carrapatos são artrópodes ectoparasitas da subclasse Acari, pertencentes à ordem Ixodida. Existem duas famílias principais que parasitam animais domésticos: Ixodidae (carrapatos duros) e Argasidae (carrapatos moles). No Brasil, os gêneros mais comuns em pequenos animais são Rhipicephalus sanguineus, conhecido como carrapato vermelho do cão, além de Amblyomma cajennense, Amblyomma sculptum e Dermacentor nitens.

Esses parasitas se alimentam exclusivamente de sangue de hospedeiros vertebrados. O ciclo de vida do carrapato passa por quatro estágios: ovo, larva (também chamada de micuim), ninfa e adulto. Em cada fase pós-embrionária, o parasita precisa se alimentar de sangue para conseguir progredir no ciclo, o que significa que um único carrapato pode picar mais de um hospedeiro ao longo da vida.

A capacidade de jejum prolongado, a resistência a condições ambientais adversas e a preferência por locais úmidos e sombreados tornam os carrapatos especialmente adaptados a ambientes urbanos, periurbanos e rurais. Gramados, jardins, muros, frestas em paredes, debaixo de telhas e até caixas de areia podem servir como abrigo para larvas e ninfas em espera por um hospedeiro, segundo dados do MSD Veterinary Manual.

Por que gatos podem pegar carrapatos

Por que gatos podem pegar carrapatos - imagem ilustrativa
Por que gatos podem pegar carrapatos

Embora exista a percepção popular de que gatos que vivem dentro de casa estão imunes a carrapatos, essa é uma ideia equivocada. Existem diversos cenários nos quais felinos domiciliados podem se expor ao parasita:

  • Acesso eventual a áreas externas.
  • como varandas.
  • jardins e quintais.
  • Convívio com cães que frequentam a rua e trazem carrapatos para casa.
  • Presença de tutores que trabalham em áreas rurais ou com outros animais.
  • Contato com pessoas que frequentam locais infestados.
  • Entrada de novos animais.
  • como filhotes adotados.
  • na residência.
  • Presença de roedores ou outros pequenos hospedeiros no ambiente.

Além disso, gatos de acesso supervisionado ou que utilizam redes e caminhas em áreas externas estão sujeitos ao mesmo nível de exposição que cães. Já os gatos totalmente indoor, sem nenhum tipo de contato indireto com o ambiente externo, apresentam risco reduzido, mas não nulo, principalmente em regiões tropicais onde a infestação ambiental pode ser elevada, como aponta a WSAVA em suas diretrizes sobre controle de ectoparasitas.

Como identificar carrapatos no gato

Sinais visuais

O carrapato adulto em fase de ingurgitamento é relativamente fácil de identificar a olho nu. Ele aparece como uma pequena bolinha escura, geralmente marrom ou preta, fixa na pele do gato. Antes da alimentação, o parasita pode ter o tamanho de uma semente de gergelim. Depois de se alimentar, o abdome se expande consideravelmente, podendo atingir o tamanho de um grão de uva.

Em gatos de pelagem escura ou densa, a identificação visual pode ser mais difícil. Nesses casos, é recomendável apalpar todo o corpo do animal com as mãos, deslizando os dedos contra o sentido dos pelos, especialmente nas regiões onde os carrapatos costumam se fixar.

Locais comuns no corpo do gato

Carrapatos preferem regiões do corpo onde a pele é mais fina, com boa vascularização e onde o gato tem dificuldade de se lamber. Os locais mais comuns incluem:

  • Base e interior das orelhas.
  • Região da nuca e pescoço.
  • Axilas.
  • Virilha e região perianal.
  • Entre os dedos das patas.
  • Ao redor dos olhos.
  • Cauda e base da cauda.

Em gatos de pelagem longa, como Persas e Maine Coons, a busca deve ser ainda mais cuidadosa, pois os parasitas podem ficar escondidos entre os pelos.

Localização no corpo Frequência de fixação Dificuldade de inspeção
Orelhas (base e interior) Alta Média
Nuca e pescoço Alta Baixa
Axilas Alta Média
Virilha Alta Alta
Entre os dedos das patas Média Alta
Cauda e base da cauda Média Baixa

Diferença entre carrapatos e outras estruturas cutâneas

É comum confundir carrapatos com pequenas verrugas, sinais cutâneos ou até coágulos de sangue secos. A principal característica que diferencia o carrapato é a presença de patas visíveis e do aparelho bucal (hipostômio) inserido na pele. Ao tocar levemente com a ponta do dedo, percebe-se uma estrutura firme e arredondada, diferente de uma crosta ou verruga.

Em caso de dúvida, é preferível não manipular e levar o gato ao veterinário para uma avaliação adequada. Tentativas de remoção sem certeza do diagnóstico podem resultar em complicações desnecessárias.

Doenças transmitidas por carrapatos em gatos

Carrapatos são vetores de diversos agentes infecciosos que afetam cães, humanos e, em menor frequência, gatos. Embora os felinos sejam considerados hospedeiros menos suscetíveis que os cães a algumas dessas doenças, eles não estão isentos de risco. As principais enfermidades associadas a carrapatos em gatos incluem:

Babesiose felina

Causada por protozoários do gênero Babesia, a babesiose felina é uma doença hemolítica que provoca anemia, icterícia, febre, letargia e, em casos graves, pode levar ao óbito. A transmissão ocorre principalmente pela picada de carrapatos do gênero Rhipicephalus. No Brasil, relatos de babesiose felina ainda são esporádicos, mas a doença é considerada emergente, segundo o MSD Veterinary Manual.

Micoplasmose hemotrópica (hemobartonelose)

A infecção por Mycoplasma haemofelis e espécies relacionadas provoca anemia hemolítica imunomediada. Embora a principal forma de transmissão seja pela pulga, carrapatos também podem atuar como vetores. Os sinais clínicos incluem mucosas pálidas, fraqueza, perda de apetite e icterícia.

Cytauxzoonose

Considerada uma das doenças mais graves transmitidas por carrapatos a felinos, a cytauxzoonose é causada pelo protozoário Cytauxzoon felis e transmitida pelo carrapato Amblyomma americanum, comum nos Estados Unidos. No Brasil, a presença do agente ainda é pouco documentada, mas a doença é monitorada por entidades como a AAFP.

Anaplasmose e erliquiose

Anaplasma phagocytophilum e Ehrlichia species podem infectar gatos, embora com menor frequência que em cães. Os sinais clínicos incluem febre, letargia, anorexia e alterações hematológicas como anemia e trombocitopenia.

Doença de Lyme (borreliose)

Causada pela bactéria Borrelia burgdorferi, é considerada rara em gatos. No entanto, felinos podem servir como hospedeiros reservatórios, e casos clínicos já foram descritos, segundo o Companion Animal Parasite Council (CAPC).

Doença Agente Vetor principal Sinais clínicos principais Gravidade
Babesiose felina Babesia spp. Rhipicephalus sanguineus Anemia, icterícia, febre, letargia Alta
Micoplasmose hemotrópica Mycoplasma haemofelis Pulga, carrapato Anemia hemolítica, mucosas pálidas Moderada a alta
Cytauxzoonose Cytauxzoon felis Amblyomma americanum Febre, icterícia, depressão Muito alta
Anaplasmose Anaplasma phagocytophilum Ixodes spp. Febre, letargia, anorexia Moderada
Erliquiose Ehrlichia spp. Rhipicephalus sanguineus Febre, anemia, trombocitopenia Moderada
Doença de Lyme Borrelia burgdorferi Ixodes spp. Poliartrite, letargia Baixa em gatos

A importância de remover o carrapato corretamente está diretamente ligada à redução do risco de transmissão desses agentes. Quanto mais tempo o parasita permanece fixo, maior a chance de inoculação de patógenos na corrente sanguínea do hospedeiro, conforme descrito pela WSAVA.

Como remover carrapatos com segurança: passo a passo

A remoção adequada do carrapato é uma habilidade que todo tutor de gato pode aprender, mas exige atenção e técnica. A recomendação é utilizar pinças de ponta fina ou, preferencialmente, ganchos removedores específicos, encontrados em pet shops e lojas agropecuárias. O uso de pinças comuns é aceitável, desde que a ponta seja fina o suficiente para segurar o parasita sem esmagá-lo.

Materiais necessários

Gancho removedor de carrapatos (tipo O’Tom ou Tick Twister) ou pinça de ponta fina, Luvas descartáveis (recomendável), Álcool 70 por cento ou clorexidina para desinfecção, Recipiente pequeno com tampa para armazenar o parasita, caso seja necessário enviá-lo para análise, Algodão ou gaze limpa

Passo a passo detalhado

  1. Calce as luvas para reduzir o risco de contato com o parasita e possíveis patógenos. Embora a maioria das doenças transmitidas por carrapatos não afete diretamente humanos, alguns agentes podem causar reações cutâneas.
  2. Segure o gato com calma, preferencialmente com o auxílio de outra pessoa. Gatos estressados podem reagir de forma agressiva durante o procedimento. Em felinos muito ansiosos, considere envolvê-los em uma toalha.
  3. Posicione o removedor o mais próximo possível da pele do gato, envolvendo a base do corpo do carrapato, ou seja, o ponto onde o hipostômio penetra na pele.
  4. Realize uma tração firme, constante e perpendicular à pele, sem torcer ou puxar em ângulo. O movimento deve ser contínuo e delicado, evitando o rompimento do parasita, que pode deixar partes bucais na pele do animal.
  5. Após a remoção, coloque o carrapato em um recipiente com álcool 70 por cento para matá-lo. Não o esmague com os dedos.
  6. Desinfete a área da picada com clorexidina diluída ou álcool 70 por cento, utilizando algodão ou gaze limpa.
  7. Lave bem as mãos com água e sabão após o procedimento.
  8. Observe o local nos dias seguintes. Qualquer sinal de inflamação intensa, secreção, inchaço ou formação de nódulo deve ser avaliado por um veterinário.

A técnica adequada reduz significativamente o risco de deixar partes bucais na pele e de comprimir o corpo do carrapato, o que poderia forçar a regurgitação de conteúdo intestinal contaminado para dentro do hospedeiro.

O que NÃO fazer na remoção de carrapatos

Existem diversos métodos populares, mas contraindicados por entidades veterinárias, que devem ser evitados:

  • Não aplique vaselina.
  • esmalte, álcool.
  • gasolina, óleo ou qualquer substância sobre o carrapato. Essas substâncias podem irritar o parasita e induzir a regurgitação de conteúdo potencialmente infectante.
  • Não utilize fogo.
  • fósforos ou isqueiros para tentar remover o parasita. Além de ineficaz.
  • o método oferece risco de queimaduras.
  • Não puxe o carrapato com os dedos diretamente. Esse hábito aumenta o risco de esmagar o parasita e de exposição do tutor a patógenos.
  • Não torça o parasita durante a remoção.
  • pois isso aumenta a chance de ruptura do corpo e permanência do aparelho bucal na pele.
  • Não espere que o carrapato se solte sozinho. Quanto maior o tempo de fixação.
  • maior o risco de transmissão de doenças.

Essas recomendações estão alinhadas com o que preconiza a AAFP e o MSD Veterinary Manual para manejo de ectoparasitas em pequenos animais.

Cuidados após a remoção do carrapato

Após a remoção do carrapato, é importante observar o gato nas semanas seguintes. Algumas medidas incluem:

  • Monitorar o local da picada por até duas semanas.
  • observando sinais de inflamação.
  • vermelhidão.
  • secreção ou formação de nódulo.
  • Ficar atento a sinais clínicos sistêmicos.
  • como apatia.
  • perda de apetite.
  • febre.
  • vômito.
  • diarreia.
  • palidez das mucosas ou icterícia.
  • Realizar a busca por outros carrapatos no corpo do animal.
  • pois a presença de um carrapato geralmente indica que outros podem estar presentes.
  • Considerar a profilaxia com produtos parasiticidas adequados para gatos.
  • sempre sob orientação veterinária.

Caso o tutor encontre mais de três carrapatos no animal, ou se o gato apresentar qualquer alteração clínica, a recomendação é buscar atendimento veterinário imediato.

Prevenção contra carrapatos em gatos

A prevenção é sempre mais eficaz e menos onerosa que o tratamento. Existem diferentes estratégias para reduzir o risco de infestação por carrapatos em felinos:

Produtos parasiticidas tópicos e orais

O mercado veterinário oferece diversas opções de parasiticidas para gatos, incluindo pipetas spot on, comprimidos mastigáveis e coleiras. Cada produto possui indicações específicas de idade, peso e estado fisiológico do animal. A escolha do produto ideal deve ser feita pelo médico veterinário, considerando fatores como estilo de vida do gato, histórico de reações adversas e presença de outras comorbidades.

É fundamental reforçar que produtos desenvolvidos para cães, especialmente aqueles que contêm permetrina ou piretróides, podem ser altamente tóxicos para gatos. Intoxicações acidentais por essa classe de compostos são emergências veterinárias comuns e potencialmente fatais, segundo o MSD Veterinary Manual.

Manejo ambiental, Mantenha a grama do quintal sempre aparada

Remova folhas secas, entulho e materiais que sirvam de abrigo para carrapatos, Trate o ambiente com produtos carrapaticidas apropriados, sempre seguindo as orientações do rótulo, Lave caminhas, cobertores e brinquedos com água quente regularmente, Aspire sofás, carpetes e cantos onde o gato costuma permanecer, Em regiões de alta infestação, considere a dedetização profissional, sempre utilizando produtos seguros para animais de companhia

Cuidado com animais de convívio

Se o tutor possui cães na mesma residência, é essencial manter a profilaxia antiparasitária deles em dia. Cães infestados são fontes comuns de carrapatos para gatos que convivem na mesma casa.

Exame regular do animal

A inspeção regular do corpo do gato, especialmente após passeios em áreas externas, é uma medida simples e eficaz para detectar carrapatos antes que eles completem o ciclo de alimentação. A recomendação é palpar todo o corpo do animal ao menos uma vez por semana.

Quando procurar o veterinário

Existem situações nas quais a remoção caseira do carrapato não é recomendada e o atendimento veterinário se torna indispensável:

  • Infestações múltiplas.
  • com grande número de carrapatos no animal.
  • Gatos filhotes.
  • idosos.
  • gestantes ou com doenças crônicas.
  • Presença de sinais clínicos como febre.
  • apatia.
  • anorexia.
  • vômitos.
  • diarreia.
  • palidez ou icterícia.
  • Reações inflamatórias intensas no local da picada.
  • Inexistência de produto parasiticida adequado para a espécie felina.
  • Casos de intoxicação por produtos inadequados.
  • Carrapatos localizados em áreas delicadas.
  • como interior das orelhas.
  • olhos ou genitália.

Nessas situações, o médico veterinário realizará o manejo clínico adequado, poderá indicar exames complementares, prescrever parasiticidas seguros e orientar sobre o tratamento das possíveis complicações.

A autoterapia, especialmente com produtos de uso humano ou canino, é contraindicada e pode colocar a vida do gato em risco. Consulte sempre um profissional habilitado pelo CRMV do seu estado.

Perguntas Frequentes

Gato que mora dentro de casa pode pegar carrapato?

Sim, embora o risco seja menor em comparação com gatos que têm acesso à rua, felinos totalmente indoor podem se expor a carrapatos por meio de outros animais da casa, da entrada de pessoas vindas de áreas infestadas, do uso de varandas e quintais, ou mesmo pela presença de novos animais introduzidos no ambiente. Em regiões tropicais, a infestação ambiental pode ser elevada e até mesmo gatos indoor estão sujeitos ao risco.

Posso usar carrapaticida de cachorro no meu gato?

Não. Produtos parasiticidas desenvolvidos para cães frequentemente contêm princípios ativos tóxicos para gatos, como permetrina e organofosforados em concentrações inadequadas para felinos. O uso desses produtos pode causar intoxicação grave, com sinais neurológicos, vômitos, tremores e até óbito. A escolha do parasiticida para gatos deve ser feita exclusivamente pelo médico veterinário.

Carrapato de gato transmite doença para humanos?

A maioria das doenças transmitidas por carrapatos de cães e gatos não é diretamente transmissível ao ser humano pela simples presença do parasita no animal. No entanto, carrapatos presentes no gato podem eventualmente se desprender e picar humanos, especialmente crianças e pessoas que convivem com o animal. Algumas doenças, como a febre maculosa, transmitida pelo carrapato estrela (Amblyomma cajennense), podem afetar humanos. Por isso, a remoção rápida e a prevenção são importantes tanto para a saúde do gato quanto para a saúde da família.

Como saber se meu gato está com doença transmitida por carrapato?

Os sinais clínicos variam conforme o agente infeccioso envolvido, mas alguns sintomas comuns incluem apatia, perda de apetite, febre, palidez das mucosas, icterícia, anemia, vômitos e alterações neurológicas. Como muitos desses sinais são inespecíficos e podem estar associados a diversas outras doenças, é fundamental consultar um veterinário para a realização de exames específicos, como hemograma, bioquímico sérico e testes moleculares.

Posso remover o carrapato com os dedos se não tiver pinça?

Essa prática não é recomendada. A remoção com os dedos aumenta o risco de esmagar o parasita e de exposição do tutor a patógenos. Caso não disponha de pinça ou gancho removedor, o ideal é levar o gato ao veterinário para a remoção adequada. Como medida provisória, pode-se utilizar uma pinça de sobrancelhas previamente esterilizada, sempre segurando o carrapato pela base, próxima à pele, e puxando com firmeza constante.

Conclusão

Carrapatos em gatos são um problema real e relevante, especialmente em regiões tropicais como o Brasil. Embora os felinos sejam considerados hospedeiros menos suscetíveis que os cães a algumas doenças transmitidas por carrapatos, eles estão sujeitos a riscos que vão desde irritações cutâneas até enfermidades sistêmicas graves, como babesiose e anaplasmose.

A remoção segura do carrapato exige técnica, materiais adequados e atenção aos detalhes. Métodos caseiros inadequados, como o uso de substâncias irritantes ou a tração com os dedos, devem ser evitados. A prevenção, baseada em produtos parasiticidas apropriados para a espécie felina e no manejo ambiental, é a estratégia mais eficaz para manter o gato protegido.

Por fim, lembre-se de que este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação clínica. Em caso de infestação, dúvidas sobre produtos ou sinais de doença, consulte sempre um médico veterinário habilitado, com registro no CRMV do seu estado. A saúde do seu gato e a segurança da sua família agradecem.

Referências consultadas

World Small Animal Veterinary Association (WSAVA). Guidelines for the control of ectoparasites in dogs and cats. Disponível em wsava.org. American Association of Feline Practitioners (AAFP). Feline Zoonoses Guidelines. Disponível em catvets.com. MSD Veterinary Manual. Tick infestation in small animals. Disponível em msdvetmanual.com. Companion Animal Parasite Council (CAPC). Parasite Prevalence Maps and Guidelines. Disponível em capcvet.org. European Scientific Counsel Companion Animal Parasites (ESCCAP). Control of ectoparasites in dogs and cats. Disponível em esccap.org. Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) e Conselhos Regionais (CRMV). Atribuições profissionais e orientação ao consumidor. Disponível em cfmv.gov.br. Associação Brasileira de Medicina Veterinária (ABMVET). Diretrizes sobre ectoparasitoses em pequenos animais. Centro Brasileiro de Reabilitação Animal (CBRO). Material técnico de apoio à clínica veterinária de felinos. Labarthe, N.; Guerrero, J. Haemoparasitoses in cats. Topics in Companion Animal Medicine. Elsevier. Shaw, S. E.; Birtles, R. J.; Day, M. J. Arthropod transmitted infectious diseases of cats. Journal of Feline Medicine and Surgery.

Perguntas Frequentes (FAQ)

1. Gato que mora dentro de casa pode pegar carrapato?

Sim, embora o risco seja menor em comparação com gatos que têm acesso à rua, felinos totalmente indoor podem se expor a carrapatos por meio de outros animais da casa, da entrada de pessoas vindas de áreas infestadas, do uso de varandas e quintais, ou mesmo pela presença de novos animais introduzidos no ambiente. Em regiões tropicais, a infestação ambiental pode ser elevada e até mesmo gatos indoor estão sujeitos ao risco.

2. Posso usar carrapaticida de cachorro no meu gato?

Não. Produtos parasiticidas desenvolvidos para cães frequentemente contêm princípios ativos tóxicos para gatos, como permetrina e organofosforados em concentrações inadequadas para felinos. O uso desses produtos pode causar intoxicação grave, com sinais neurológicos, vômitos, tremores e até óbito. A escolha do parasiticida para gatos deve ser feita exclusivamente pelo médico veterinário.

3. Carrapato de gato transmite doença para humanos?

A maioria das doenças transmitidas por carrapatos de cães e gatos não é diretamente transmissível ao ser humano pela simples presença do parasita no animal. No entanto, carrapatos presentes no gato podem eventualmente se desprender e picar humanos, especialmente crianças e pessoas que convivem com o animal. Algumas doenças, como a febre maculosa, transmitida pelo carrapato estrela, podem afetar humanos. Por isso, a remoção rápida e a prevenção são importantes.

4. Como saber se meu gato está com doença transmitida por carrapato?

Os sinais clínicos variam conforme o agente infeccioso envolvido, mas alguns sintomas comuns incluem apatia, perda de apetite, febre, palidez das mucosas, icterícia, anemia, vômitos e alterações neurológicas. Como muitos desses sinais são inespecíficos e podem estar associados a diversas outras doenças, é fundamental consultar um veterinário para a realização de exames específicos, como hemograma, bioquímico sérico e testes moleculares.

5. Posso remover o carrapato com os dedos se não tiver pinça?

Essa prática não é recomendada. A remoção com os dedos aumenta o risco de esmagar o parasita e de exposição do tutor a patógenos. Caso não disponha de pinça ou gancho removedor, o ideal é levar o gato ao veterinário para a remoção adequada. Como medida provisória, pode-se utilizar uma pinça de sobrancelhas previamente esterilizada, sempre segurando o carrapato pela base, próxima à pele, e puxando com firmeza constante.

Aviso: este conteudo e informativo e nao substitui consulta com medico veterinario registrado (CRMV). Diagnosticos, tratamentos e medicacoes exigem avaliacao presencial de um profissional. Em caso de sintomas ou duvidas, procure um veterinario de sua confianca antes de tomar qualquer decisao sobre a saude do seu gato.

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